Brasília, quinta-feira,
28 de junho de 2001
Cultura
Televisão
O sonho dentro da telinha
Tarciano Ricarto
Da equipe do Correio


Jefferson Rudy
Daniela Ramalho, 21 anos, trabalhou como figurante em Estrela-Guia: atriz negocia atuação em cinema

Caminhos diferentes, sonhos em comum. A universitária Adriana Rollemberg, 20 anos, faz estágio na área de publicidade. A modelo Daniela Ramalho, 21, divide-se entre estúdios e salas de aula do curso de Jornalismo. O funcionário público Evandro Perissê, 35, ocupa há 16 anos a função de técnico legislativo do Senado Federal. A estudante Daniela Alves, 20, cursa o terceiro semestre da faculdade de Turismo. Bruno Varela, 22, está no oitavo semestre de Engenharia Mecânica. Evanine Pizani, 35, é cirurgiã-dentista.
  A escolha profissional desses personagens faz crer que a carreira deles, se ainda não está bem firmada, caminha para a consolidação. Ledo engano. Se o sonho fosse o único condutor da vida, uma reviravolta estaria prestes a acontecer. A futura publicitária, o provável engenheiro, o funcionário público, a profissional de saúde, a modelo e a estudante de Turismo provavelmente não hesitariam em jogar tudo para o alto em nome da arte. São todos novos atores da cidade de Brasília, que alimentam o desejo de atuar frente a câmeras ou sobre palcos renomados. Um desejo pra lá de concorrido.
  Todos eles fazem parte do grupo de quase 700 alunos que já participaram da oficina de interpretação, ministrada pelo diretor de novelas da Rede Globo Reynaldo Boury, em Brasília. No próximo mês, Boury estará à frente de mais um curso, que deve atrair 80 alunos. A idéia é criar um pólo de teledramaturgia candango formando atores com o padrão Globo de qualidade.


Projeto forma elenco regional

  Se o sonho é fazer novela, as chances são remotas numa terra distante do reduto das grandes emissoras de TV. Essas oportunidades de trabalho sempre estiveram restritas ao eixo Rio-São Paulo. Um universo excludente por natureza.
  Mas o mundo das telenovelas está se abrindo a novos mercados e Brasília está prestes a se tornar um deles. As oito oficinas realizadas na cidade pelo diretor Reynaldo Boury integram um esquema mais ambicioso: regionalizar a produção de novelas através do Projeto Afiliadas de Teledramaturgia. ‘‘A idéia é revelar talentos regionais’’, resume Boury.
  Mais que isso. Com atores locais tarimbados com o know-how da Globo, a forma de exibir para o Brasil tramas regionais pode ganhar outro foco. ‘‘O modo de viver em Brasília mostrado por atores brasilienses será, com certeza, mais fiel do que se fosse mostrado por cariocas’’, explica a coordenadora geral do projeto Luciana Martuchelli.
  O projeto já caminhou por Salvador (BA), Manaus (AM) e Campinas (SP). Deve passar, agora, por Brasília, Porto Alegre (RS) e São Luís (MA). Ao final de cada edição, é realizado um trabalho para ser exibido em nível regional. A seleção dos atores que vão participar do projeto será feita a partir dos alunos dos workshops.
  Alunos que passaram por esses cursos comemoram passagens, mesmo que rápidas, pela tela global. ‘‘Só foi um vulto. Mas valeu pela experiência’’, conta Daniela Alves, que fez figuração na novela Estrela-Guia. A modelo Daniela Ramalho, que também foi figurante, prepara-se agora para outros trabalhos. Desta vez no cinema. ‘‘Estou acertando uma figuração num filme e um papel em outro’’, conta.
  O próximo workshop deve ocorrer entre 13 a 22 de julho. O objetivo é ensinar a técnica televisiva: como se portar num estúdio, o que fazer diante das câmeras, como controlar as emoções, como compor um personagem. ‘‘Às vezes, o ator tem talento, mas desconhece a linguagem específica da televisão e acaba não se dando bem em um possível teste’’, justifica Marcelo Meireles, responsável pela produção dos workshops.

‘‘Às vezes, o ator tem talento, mas desconhece a linguagem da televisão e acaba não se dando bem em um possível teste’’

Marcelo Meireles
Responsável pela produção dos workshops.


Treinando para gravar

O workshop será uma oportunidade para atores principiantes da cidade conhecerem o que se passa num estúdio de TV. Durante o curso, o ambiente de gravação de uma telenovela é reproduzido. Os alunos, após serem orientados, ficam diante de três câmeras e vivem a dinâmica de todo o processo. ‘‘Depois, cada aluno é analisado individualmente’’, explica Luciana Martuchelli.
  O diretor de novelas Reynaldo Boury está no comando do curso. Ele tem no currículo trabalhos como Irmãos Coragem, Selva de Pedra, Tieta, Sítio do Picapau Amarelo, Riacho Doce e Malhação. Evandro Perissê, que participou de um dos workshops, confessa ter ficado surpreso com seu progresso depois do curso. ‘‘Vale a pena e nunca é tarde para começar’’, diz o funcionário público de 35 anos.


SERVIÇO
Workshop de Interpretação De 13 a 22 de julho. Informações: 347-2787. SCLN 111, bloco C, sala 216
 
 
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