Klecius Henrique
Da equipe do Correio
| Jorge Cardoso |
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| Dois atores locais (Agência TAO) fazem participação no papel
de mendigos |
| Adauto Cruz |
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O ator Rodrigo Santoro está acostumado a fazer
supermercado de madrugada, sobretudo quando as gravações de novelas da
TV Globo lhe tomam o dia inteiro. De passagem por Brasília na última
semana, encarnando o playboy Carlos Charles, personagem de Estrela Guia,
Santoro viveu o inverso: trabalhou a noite inteira vários dias, pouco foi
visto pelas fãs e mostrou que vida de artista não é lá tão fácil.
‘‘Nossos horários são sempre diferentes. Estou
acostumado porque já faço televisão há oito anos’’, disse Santoro,
às 23h40, da noite de quarta-feira. Santoro havia gravado cena de um pega
na Esplanada dos Ministérios, finalizada com cavalo-de-pau em pleno Eixo
Monumental. Ele estava a bordo de camioneta importada, seguida por um Pálio
e um ônibus. Por volta da meia-noite, Santoro foi liberado por Carlos Araújo,
um dos diretores da novela cuja estréia está prevista para 6 de março e
terá locações no interior de Goiás e Rio de Janeiro.
Não foi à toa que a atitude de Carlos — o da novela —
chamou a atenção de policiais civis — estes, de verdade —, que
invadiram o set e tentaram abordar o motorista que rodopiava louco pelo
Eixo Monumental. Eles só pararam quando souberam que se tratava de
filmagem. ‘‘É filme’’, gritou, desesperada, uma produtora. Sem
graça, sob risos de militares (que fecharam o trânsito para as cenas) e
figurantes, os agentes da Delegacia da Criança e Adolescente saíram de
fininho.
Na ficção, depois do pega, Carlos Charles acaba na cadeia,
lugar alérgico a ricos — pelo menos no Brasil. Tanto que o rapaz é
liberado após conversa da mãe (Lilia Cabral) com o delegado (Murilo
Grossi), em cena gravada na 15ªCompanhia de Polícia Militar Independente
(CPMind), no Lago Sul, na tarde de quarta-feira.
No mesmo dia, Santoro e os atores brasilienses Guilherme
Veloso, João Marcelo di Martino e Geraldo Prado — ou melhor, seus
personagens — estiveram num posto da 205 Sul, onde se ‘‘abasteceram
de cachaça’’ antes de mergulhar na corrida de carros no Eixo
Monumental e na agressão a mendigos, alusão direta ao caso do índio
Galdino Jesus dos Santos, queimado por filhinhos de papai, em 1997, na EQS
703/704.
Ainda grato pelo prêmio Candango de melhor ator no Festival
de Brasília do Cinema Brasileiro do ano passado, Santoro não vê ligação
entre Carlos Charles e os jovens brasilienses. ‘‘Carlos é o típico
playboy. Não é de Brasília, nem do Brasil, é o cara irresponsável,
inconseqüente, que gasta dinheiro fazendo besteira, não está aí com
nada. É o retrato do playboy, e só’’, avalia Santoro.
Dentro do cronograma de gravações da semana, as câmeras da
TV Globo focalizariam ainda dois atores de Brasília: o veterano Andrade
Jr. e o empresário Antônio Carlos, intérpretes dos mendigos. ‘‘Não
sei o que vou fazer. Mendigo não sabe de nada’’, brincou Antonio
Carlos, sob aprovação de Andrade Jr., que ainda desconhecia a tomada que
faria na quinta-feira: as panorâmicas anteriores à cena em que os
mendigos viraram alvo de paintball de Carlos Charles e galera.
No início, o roteiro previa que um mendigo fosse queimado
acidentalmente pelos rebeldes sem causa. A diretora Denise Saraceni acabou
mudando a cena. ‘‘Ficaria pesado demais para uma novela das
seis’’, explica Santoro. Não só. O take poderia cair nas garras do
Departamento de Classificação Indicativa do Ministério da Justiça ou
do vigilante Siro Darlan, juiz da Vara da Infância e Juventude do Rio de
Janeiro.
Hoje, a equipe da Globo estará gravando em Anapólis. Na próxima
semana, a diretora Denise Saraceni e equipe, acompanhada dos protagonistas
da novela, Sandy e Guilherme Fontes, estarão em Pirenópolis. A cidade
histórica se transformará em Goianópolis, sede do Arco da Aliança,
comunidade alternativa que dará fôlego à trama escrita por Ana Maria
Moreztson.
Tietagem no Beirute
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Da Redação
Terça-feira, quando Rodrigo Santoro deu o ar da
graça em um dos bares mais tradicionais da cidade, o Beirute, na
109 Sul, aconteceu o que era de se esperar: muita tietagem em
torno do ator. Chegou às 19h, quase desapercebido. As fãs
atrasadinhas (e uns poucos rapazes atrasadinhos também)
choramingavam. ‘‘Ele já subiu? Já passou? Quem viu?’’
Ninguém, a não ser as crianças, as mais
persistentes. Dayanne Sá do Nascimento, de 12 anos, acompanhada
de quatro amigos da mesma faixa etária, nem se intimidou com a
chuva. É verdade que os meninos se decepcionaram um pouco quando
souberam quem era o ator da gravação. ‘‘Falaram que Xuxa ia
estar aqui’’, reclamava Lucas Spíndola de Carvalho, 11 anos.
Mesmo assim, as crianças subiram nos brinquedos do parquinho em
frente ao bar para ter melhor visão. Molhados — mas felizes da
vida — gritavam pelo ídolo olhando para o segundo andar do bar,
onde instalaram o camarim provisório.
Adolescentes (outras nem tão adolescentes assim) que
se amontoavam sob a marquise do bar para tentar se proteger da
chuva. A jornaleira Renata Figueiredo, 22 anos, saiu correndo do
trabalho na 104 Sul e pegou um ônibus até a 109, onde encontrou
as primas Maria Júlia e Ana Karina Sidrin, 16 e 18 anos, que
estavam de plantão. ‘‘Ele é um gato, mas bem que a Sandy
podia ter vindo também’’, contestava Maria Júlia,
ressentido-se da ausência da nova estrela global.
Fãs incondicionais mesmo eram as estudantes Fernanda
Languer, 16 anos, e Lidiane Neiva Martins, 17. O namorado de
Lidiane, o ator Reinaldo Azevedo, foi figurante da cena e carregou
as duas a tiracolo para assistir à sua performance — e, bem, à
de Santoro também. E Reinaldo não tem ciúme? ‘‘Ele nem se
importa mais’’, aliviava-se Lidiane, que já fez o companheiro
se acostumar com sua paixão platônica pelo concorrente global.
Enquanto isso, a amiga Fernanda não parava quieta, correndo os
olhinhos ansiosos pela multidão para ver se Rodrigo aparecia.
‘‘Ah, se ele passa aqui... Seguro, abraço, levo para
mim’’, sonhava. ‘‘Pode botar aí muita coisa da gente,
porque nós somos fãs mesmo.’’
Lá em cima, o ator se preparava para uma noite que
terminaria só às 4h da madrugada, quando encerraram as gravações.
Fugindo do assédio, Rodrigo se impressionava. ‘‘O público de
Brasília é muito carinhoso’’, declarava-se. Mas não
esqueceu as vaias que tomou no dia em que seu filme foi exibido no
Festival. Apenas preferiu acreditar em versão mais branda da história.
‘‘O público na verdade não me vaiou. Os homens é que
vaiaram a reação que as meninas tiveram em relação a mim.
Estou cansado de ver isso.’’
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Em busca de talentos
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A atriz brasiliense Luciana
Martuchelli é responsável pela seleção de elenco de Estrela
Guia em Brasília e Pirenópolis. Aos 30 anos, Luciana, que é
filha do ator Gê Martu, já fez o mesmo trabalho para a Globo nas
novelas Araponga e O Rei do Gado e nas séries A Justiceira e Os
Maias.
O trabalho rendeu a Luciana o posto de coordenadora do
projeto Afiliadas de Teledramaturgia, parceria da Tao Filmes
(empresa de Luciana e de Marcelo Meireles) com o diretor global
Reynaldo Boury (responsável por novelas como Irmãos Coragem e
Tieta). O programa tenta descobrir novos talentos em direção e
interpretação a partir de oficinas ministradas por Boury ou
outros profissionais da televisão.
‘‘É um projeto de descentralização da
dramaturgia do eixo Rio-São Paulo. De certa forma, chegou-se à
conclusão no Rio de que o mercado de lá está saturado. Os
talentos da cidade já estão na Globo. Por isso, têm procurado
atores fora do Rio. Tem muita gente boa no país que não tem
reconhecimento onde vive’’, avalia Luciana.
Em março, o projeto Afiliadas da Teledramaturgia
volta à cena com cursos de interpretação e roteiro. Os atores
indicados por Luciana para Estrela Guia saíram da lista de cerca
de 900 alunos que passaram pelos cursos da sua produtora. Luciana
ainda não achou uma dublê para cenas de cavalo da atriz Lilia
Cabral e alguns atores que serão moradores da comunidade
alternativa da novela. Interessados devem ligar para 347-2787.
(K.H.)
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Diário de Filmagem em Brasília
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Segunda
Tarde — Na Academia de Tênis, Carlos Charles (Rodrigo Santoro)
conversa com a mãe (Lilia Cabral). Ela dá lição de moral no
filho e tenta convencê-lo a apoiá-la na venda de umas terras no
interior goiano.
Terça
Noite — No Beirute, Carlos Charles se mete numa briga ao lado da
namorada. O Beirute não fechou as portas, embora metade do bar
tenha sido reservado à novela. Fortes chuvas estenderam o
trabalho da equipe da TV Globo das 17h até as 4h da madrugada.
Quarta
Tarde — Na 15ªCPMind, no Lago Sul, a mãe de Carlos Charles
implora para que o delegado (Murilo Grossi) solte o filho, preso
por ter agredido mendigos na rua. O delegado faz que não a
escuta, mas acaba soltado o playboy.
Noite — No Eixo Monumental (ao lado do Teatro Nacional Claudio
Santoro), Carlos Charles faz pega com amigos. Envolvendo um ônibus,
um Palio e camioneta importada, a cena foi interrompida por
viatura da Polícia Civil que confundiu a ficção com realidade.
Em seguida foram feitas imagens dos mendigos ao relento.
Quinta
Noite — Carlos Charles e amigos de farra usam dois mendigos como
alvo de paintball. A brincadeira atinge o olho de um dos mendigos
e coloca Carlos Charles por trás das grades.
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